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A queda das instituições de ensino superior

Há cerca de um mês, publiquei em minha conta no Facebook que quem tinha elevada dependência do governo deveria se preparar para o pior. Independente do setor, uma coisa é certa, o governo brasileiro não tem mais condições de financiar qualquer tipo de “farra” com o dinheiro público.

Como eu havia previsto, o problema já começou a atingir até mesmo as “queridinhas” do mercado e do governo. Com a mudança de regras do FIES, o governo PT começou a iniciar o processo de desconstrução das instituições de ensino superior no país.

2015 ainda será um ano limítrofe com este novo contexto, mas em 2 ou 3 anos, permanecendo as coisas como estão, a maioria das instituições de ensino superior estará em situação financeira precária. Os impactos destas medidas foram claramente vistos no mercado. Em uma adequação a esta nova realidade, só hoje a Kroton educacional bateu próxima dos 10% de queda na BOVESPA. A situação da Estácio não foi diferente. Há 3 dias que ambas estão em queda livre, com expectativas dos investidores de verem seus lucros evaporarem nos próximos anos.

Kroton
Fonte: Google Finance

 

Pior, estas duas estão entre o que há de melhor em termos de gestão e posicionamento, imagine a situação das pequenas faculdades e das com gestão amadora.

O grande desafio destas instituições reside na forte dependência que grande parte das mesmas têm de programas governamentais. Com os cortes que ainda deverão vir por parte do governo, nas mais diversas áreas, isto deverá abalar drasticamente a lucratividade do setor e até mesmo a capacidade de sobrevivência de uma série de instituições de ensino superior. A nova dinâmica de mercado que vai emergir da limitação no crédito e no aperto das famílias, devido a situação econômica, também deverá aumentar a inadimplência e a evasão, piorando ainda mais um quadro que já era limítrofe.

Quem irá sobreviver?

É claro que gigantes, como Kroton e Estácio, saberão se estruturar e aproveitar sua escala para minimizar os impactos destas mudanças. Instituições que focaram seus esforços na construção de uma imagem diferenciada e de boa qualidade, também tenderão a sentir menos os impactos destas mudanças que o setor está por viver.

Mas as demais…. Bem… Podem dar sorte de sobreviver… Mas já viu bom administrador contar com a sorte?

Leonardo Terra
Leonardo Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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