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A ilusão da distribuição de renda

Um fato que os pensadores de esquerda parecem ignorar é que sem recursos não há o que distribuir… Se não há poupança e você reduz os juros, o resultado é farra, seguida de colapso. O mesmo vale para você distribuir aquilo que não tem, por meio de distorções econômicas realizadas através da redistribuição de moeda.

Não há como Dilma manter as políticas que vinha mantendo, como defendem seus seguidores, porque simplesmente não há mais recursos para tal. Quando falo de recursos, não me refiro a dinheiro (a ilusão dos que defendem tributar grandes fortunas), falo de bens sendo gerados na economia em número suficiente para suprir as necessidades internas e de trocas externas do país.

Os recursos hoje, simplesmente são insuficientes para mover a grande máquina estatal brasileira, quanto mais nossa economia, ineficiente pela má gestão pública. Se a política populista permanece nestas condições, sem uma intervenção na captação de recursos, em pouco tempo a máquina colapsa.
O que Dilma está fazendo por meio deste ajuste fiscal, é dar sobrevida a esta máquina que encontra-se sem combustível. Ou seja, seus seguidores deveriam estar felizes, porque ela só está queimando o pouco que resta de reserva econômica em nossa sociedade, para prolongar ainda mais a utopia dos mesmos.

O triste é que também é por tempo limitado. Em breve, ela terá que escolher entre cortar na carne para priorizar a produção ou sacrificar a todos, inclusive os que a elegeram. Todos precisarão entender que a era de ouro do populismo no Brasil chegou ao fim entre 2008 e 2010, quando incineramos o que ainda tínhamos de poupança para contornar a crise financeira que o mundo vivia naquele período e eleger Dilma.

Os seus seguidores podem até continuar acreditando que distribuir dinheiro e estatizar a produção é a solução, mas isso não passa de uma ideologia quase religiosa. Adotando a mínima racionalidade, é fácil perceber que é preciso ter algo, além de dinheiro, para distribuir e a escala de produção necessária requer um nível de eficiência que apenas a livre iniciativa e um economia voltada para o trabalho e o investimento podem oferecer.

Leonardo Terra
Leonardo Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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