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Uma Pequena Reflexão Sobre A China

A China está desabando pelo mesmo motivo que todas as economias baseadas em investimento estatal e controle central da economia desabam: a incapacidade que um dispositivo controlador central tem de alocar corretamente recursos escassos em um sistema complexo, como a economia de um país. É importante notar que estes erros de alocação fazem do que estamos vivendo em Shangai, apenas o começo do problema Chinês.

O motor da economia chinesa tem sido uma pesada expansão imobiliária. Este grande investimento no setor tem se dado sem lastro, sem necessidade real e sem contrapartida produtiva, o que demonstra exatamente esta incapacidade do agente central de escolher adequadamente onde alocar seus recursos escassos. Quando esta bolha imobiliária chinesa explodir, a bolha na bolsa vai parecer uma brincadeira de criança… Eles acabarão com um amontoado de imóveis vazios e uma dívida estratosférica, proporcionalmente muito maior do que a Grega. Pior, estes imóveis vazios ainda não serão capazes de bancar a nova realidade da população chinesa o que poderá desencadear uma série de problemas de ordem social.

Com o endividamento do país e da população, os títulos chineses tenderão a apodrecer, levando o banco central chinês a uma inevitável emissão de moeda para quitação destes. O resultado desta equação será uma explosão inflacionária. Será bye, bye Yuan.

Ainda há salvação para isso? O pensamento sistêmico mostra que sim, principalmente pela dimensão da economia chinesa e isso passa por uma boa engenharia da variedade. A alternativa que a China ainda tem é de difícil implementação, mas passa por explorar a lei da variedade residual.

Sob esta ótica, a China está tomando uma atitude correta em tentar transformar sua moeda em moeda de reserva internacional. Com isso, ela poderia adotar o mesmo tipo de estratégia que os EUA usa e exportar seus problemas econômicos para o restante do mundo, fazendo com que estes amorteçam seus problemas. Uma engenharia de variedade de primeira linha que explora a lei da variedade residual, mas que é de difícil implantação em um mundo que conhece os riscos de confiar na gestão econômica chinesa, para ancorar suas reservas de valor.

Por conta da dificuldade de implementação desta idéia, acredito que o futuro da China seja efetivamente nebuloso. Pois eles não darão conta de fazer a transição de uma economia de construção para uma economia de consumo, se não conseguirem exportar seus problemas para que o resto do mundo lide com eles em seu lugar. Como o mundo não parece disposto a confiar na moeda chinesa, há uma grande possibilidade de que a China viva momentos de tensão que deverão contaminar toda a economia global por algum tempo.

Fica então uma grande questão para os próximos meses e até anos… Será que suportaremos esta transição sem um colapso de nossa matriz econômica? Acredito que não…

Leonardo Terra
Leonardo Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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