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Porque a crise ainda vai se agravar (e muito) e a Dilma sairá do poder.

Não importa o que o Levy e outros economistas digam, a crise tende a se agravar. E as consequências sociais da queda de renda real provocada pela recessão, desemprego e alta dos juros tende a piorar nos próximos anos. Portanto, mesmo que a inflação diminua no próximo ano, ainda assim será a consequência da recessão brutal causada justamente com essa finalidade, mas a custos sociais altíssimos.

Os governos petistas aumentaram enormemente os custos de manutenção da máquina pública. Criaram inúmeros cargos em comissão, contrataram muitos servidores ganhando muito acima da média, ofereceram benefícios assistenciais em profusão, reduziram os controles sobre as condicionantes para a obtenção de tais benefícios, de forma que criaram despesas de custeio que sozinhas corroem capacidade de pagamento até dos juros para a simples rolagem da dívida pública.
Essa situação de descontrole dos gastos públicos não tem solução de curto prazo. Dependeria da redução de cargos comissionados, da melhoria da gestão pública para redução das verbas de custeio (diárias, viagens, alugueis, etc), da redução do número de servidores (o que é difícil por causa da estabilidade), dentre outros.

Dada a dificuldade de cortar seus próprios gastos, o governo optou por cortar os benefícios justamente daqueles que pagaram a vida inteira por eles: os beneficiários da previdência social, deixando intactos os gastos com assistência social, que são benefícios concedidos a quem nunca contribuiu para obtê-los.
Diante de um cenário de recessão, juros estratosféricos, incapacidade de consumo via crédito e queda na renda disponível das famílias, é de se esperar um aprofundamento da recessão e da queda de investimentos produtivos. O que reduz a arrecadação de impostos e agrava ainda mais as contas públicas, num círculo perverso que não tem fim à vista.
Além da reversão de expectativas ocorrida pós-eleição da Dilma, pelo confronto entre as promessas e a realidade, o aprofundamento da crise social decorrente dos graves desequilíbrios macroeconômicos deverá provocar uma situação política muito grave.
Se para um governo com credibilidade é difícil pedir ao povo paciência, para o petismo é muito mais, pois seu discurso está cada dia mais distante da realidade. A impopularidade, nesse caso, se traduz em descrença ou em raiva. Os panelaços traduzem de forma perfeita esse sentimento, como se o povo desejasse dizer: “eu não quero mais ouvir você e suas mentiras”. É o fundo do poço em termos de falta de credibilidade.
Portanto, mesmo que todos os meios de comunicação tragam sua tropa de articulistas, economistas, políticos para repetir à exaustão que essa crise é transitória e que vai passar logo, isso representa mais uma postura política e de desejo ou fé do que uma visão realista e objetiva da realidade.
A imaginação dos publicitários pode não ter limites, mas a realidade os impõe.

José Augusto Morais de Andrade Júnior
José Augusto Morais de Andrade Júnior
Doutorando e Mestre em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Administração das Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (USP). Com MBA em Gestão das Organizações pela USP e Bacharelado em Administração pela FEARP - USP. Tem diversos trabalhos de pesquisa publicados na área de finanças empíricas, com foco em análise de séries temporais baseada em técnicas oriundas da teoria do caos, bem como consultoria empresarial utilizando modelagem estatística avançada.
http://lattes.cnpq.br/9031677682197132

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